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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Livro: A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón












"Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece".
A Sombra Do Vento p. 09

  
Existem livros para serem lidos, outros para serem devorados... Existem ainda aqueles em que se deve saborear cada palavra, senti-las, uma a uma, até que ganhem força e vida e sejam capazes de nos roubar de nós mesmos e nos aprisionar junto a elas nas páginas da história que contam...

Há livros que apenas passam um tempo conosco, nos divertem por um momento e depois da última página, nos dizem adeus, às vezes, um até logo. No entanto, há livros, que ficam pra sempre conosco, porque mais do que nos contar uma história e mais do que nos mostrar um mundo novo, marcam nosso coração e nossa alma de forma indelével; nunca mais seremos os mesmos, pois uma parte de nós nos deixa e passa a habitar as páginas da história e, parte do livro passa a nos pertencer e a nos acompanhar aonde quer que estejamos.

Quando uma amiga me emprestou seu exemplar de A Sombra do Vento, não poderia imaginar que a partir daí, a leitura e a minha paixão pelos livros nunca mais seriam os mesmos.

E não o li apenas uma vez. Assim que terminei, li novamente. E a expectativa, as emoções e o encantamento foram os mesmos, talvez maiores. Conhecer o final da história não tirou de mim a ansiedade e o prazer de chegar à última página. A sensação de que um pedaço de minha alma fora arrancado estava ali. Sim. Essa é a sensação. Depois de terminada a leitura ficou um vazio, um desejo de que houvesse mais páginas, infinitas páginas, e que aqueles personagens continuassem com suas vidas para que eu pudesse acompanhá-las e viver junto com eles.

A história está ambientada na cidade de Barcelona e tudo começa no ano de 1945, uma época em que os espanhóis estavam sob o governo do general Franco, e ainda se recuperavam da guerra civil vivenciada poucos anos antes. Daniel Sempere é um menino de “quase 11 anos de idade” (como ele mesmo se qualifica); seu pai, o Sr. Sempere, é um livreiro que transmitiu ao filho todo o amor pelos livros. Numa manhã que seria igual a muitas outras manhãs, o livreiro leva o filho a um lugar especial, cuja existência é conhecida por poucos, chamado Cemitério dos Livros Esquecidos. E ali, o jovem Daniel encontra um livro chamado A Sombra do Vento e, nada do que lera até aquele momento poderia ser comparado ao fascínio que o livro provocou no menino e nada mais seria igual depois que ele mergulhou nas páginas daquela história.

Ao começar a ler A Sombra do Vento,  não poderia imaginar o quanto esse livro se tornaria precioso para mim. Logo nas primeiras páginas fui arrebatada e me vi embriagada pelas palavras de Carlos Ruiz Zafón.

Não classifico um livro como bom ou ruim avaliando aspectos puramente técnicos. Não. O que vale é como as palavras ali escritas tocaram a minha mente, o meu coração. Não me preocupo se a escrita é simples ou carregada de expressões sofisticadas; se causou em mim emoção, qualquer que seja ela, é o que me deixa feliz. E essa história certamente modificou o meu olhar e o meu sentimento como leitora. Basta que eu feche meus olhos para que eu possa reviver tudo que senti.

É impossível ler as palavras de Zafón e continuar o mesmo. Devo adverti-los que ele não é apenas um escritor, é um mago, pois ao permitir-se ser dominado por sua história, algo se transforma e, a leitura, passa a ser mais grandiosa.

Esse pode parecer um discurso apaixonado e tendencioso. E realmente espero que seja. Não tenho a menor intenção de ser imparcial neste momento. Não quando um livro é capaz de me fazer redescobrir (e porque não descobrir) o quão maravilhoso é ler e poder ser transportado para outros mundos, outras vidas e épocas e viver sentimentos que a princípio não nos pertencem, mas dos quais nos apossamos sem nenhum constrangimento, sem precisar dar a ninguém qualquer explicação.

Ao abrir A Sombra do Vento, ganhei de presente de Zafón uma vivência até então desconhecida: a sensação de pertinência, de fazer parte daquele universo que ele criou. Ganhei magia, intensidade e poesia! Eu não escolhi ler A Sombra do Vento; foi o livro que escolheu ser lido por mim!


***
Em tempo:
1. Vou começar a ler o livro pela 3ª vez!
2. Não escolhi fazer a primeira postagem com A Sombra do Vento, no dia 25 de setembro, aleatoriamente: hoje é aniversário do Zafón!

!Feliz Cumpleãnos, Zafón!
!Gracias por darnos tanta magia!

Siento que me quitaron un pedazo de mi alma y te lo agradezco por eso.


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