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domingo, 1 de novembro de 2015

Conversa de Ônibus II: Siga seu coração



Para saber contar uma boa história, antes de mais nada, é preciso saber ouvir. Nunca sabemos quando seremos presenteados com um bom "causo".

Já tem algum tempo, estava eu no ônibus voltando para casa depois de um dia cansativo resolvendo várias coisas no centro da cidade, quando um senhor veio sentar-se ao meu lado. Antes, educadamente, pediu-me licença. Não que fosse necessário, mas achei o gesto elegante.

Normalmente, não gosto muito de conversar, mas naquele dia acabei engatando uma prosa com este senhor cujo nome agora não me recordo. Talvez por sua postura tão distinta, resolvi deixar a leitura de lado e escutar o que ele tinha para dizer.

Começamos falando do tempo, depois do trânsito e seguimos por outras tantas amenidades do nosso dia a dia.
Em um determinado ponto do trajeto, a parte da avenida que eu considero mais agradável, a conversa se tornou mais pessoal:
- Eu moro nesta cidade há mais de quarenta anos – me disse ele – e quando me mudei para cá, estas árvores já estavam aí.
Voltei-me para a janela a apreciei as árvores das quais ele falava.
- São lindas, não são? Perguntou-me.
- São sim. Gosto muito de passar por aqui – respondi.
Seguindo mais um pouco ele me disse, apontando uma daquelas belas árvores cuja copa fazia uma sombra deliciosamente convidativa num dia quente como aquele:
- Aquela ali ainda era pequena quando meu filho nasceu.
Sorri.
Por fim me disse:
- Eu vim para cá para ficar perto dos meus pais. Criei meus filhos, mas sempre tive vontade de voltar para minha cidade em Minas Gerais. Meus pais já faleceram e minha esposa também. Meus filhos já estão todos criados. O que mais tenho eu para fazer aqui?
Apenas olhei e esperei.
- Eles não querem que eu volte sozinho pra minha terra e por isso ainda estou por essas bandas. Mas às vezes, tudo o que a gente precisa fazer é seguir o nosso coração, não é mesmo?
Concordei e mais um vez sorri. Logo chegou o lugar onde eu desceria. Despedi-me e agradeci pela conversa.

No começo deste ano, passando pela mesma avenida, pude notar que algumas das árvores haviam sido retiradas e imediatamente lembrei-me desta conversa. Desejei que aquele senhor tivesse seguido seu coração!



Imagem: We Heart It


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