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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Abraços

Imagem: We Heart It

De todas as manifestações de amor e de carinho, o abraço é a minha preferida. Se me perguntassem onde eu gostaria de estar neste momento, eu diria que dentro de um abraço. Aninhada, com meus olhos fechados.

Já pararam para pensar quanta coisa cabe em um abraço? Quantos mundos, quantas histórias podem estar contidas no simples ato de estreitar alguém em seus braços?

Um abraço não está sujeito às limitações do espaço-tempo, pois traz em si a própria eternidade; faz caber uma vida inteira entre duas pessoas que enlaçam-se uma a outra e prorroga as emoções que provoca para muito além do instante que dura.

Adoro abraços porque eles permitem que eu amordace meus barulhos e expresse meus sentimentos sem nada dizer. Abraços dispensam palavras e explicações. Abraça-se pela simples alegria de ter a pessoa querida dentro de seu braços, sem desculpas ou justificativas.

Reverencio os abraços que dissolvem sofrimentos, amenizam as tristezas, diluem os medos,  afastam as incertezas e nos protegem da dureza do mundo.

Num bom abraço, daqueles de verdade mesmo, entregamos nosso coração e recebemos o coração de quem abraçamos. Quando envolvemos alguém, não estamos somente enlaçando seu corpo. No instante em que trazemos uma pessoa para junto de nós, trazemos também tudo o que nela existe: suas emoções e experiências, o que viveu e lhe aconteceu durante sua jornada. Ao abraçar, recebemos o que há no outro e também entregamos o que carregamos em nós.

Abraços implicam em trocas, são uma maneira de se ofertar, de colocar em poder do outro quem e o quê somos. Abraçando, oferecemos o que nos sobra, e nos rendemos, recebendo o que nos falta. Abraçar é a certeza de que em nós ficará um pouco de quem estreitamos em nossos braços e de que este alguém levará consigo uma porção de nossa essência.

Um abraço é descanso quando o que se busca é tranquilidade. É alívio e trégua para os dias de angústia e aflição, é ninho, é refúgio para quem precisa de um lugar para pousar, é cura para nossas loucuras.

Mas abraçar nem sempre significa navegar em águas calmas. Não. Dentro dos braços também cabe tormenta, agitação e desordem.

Abraço é coração com coração, cabeça no ombro, rosto colado. É alma derramada nos braços do outro... Embrulho, embaraço, laço que faz e desfaz os nós. Chegada, pressa, corpos traspassados, amasso, confissão; fogueira, vida que queima, encaixe, aflição. Abraço é despedida.

Quando você for abraçar alguém, quando você for me abraçar, por favor, não tenha pressa, não me faça acreditar que está fugindo de mim. Abra bem seus braços para que eu possa me aconchegar; enlaça-me e aperte-me somente o suficiente para demonstrar que ali é um lugar em que estou segura. Feche seus olhos, aproveite o silêncio para dizer com seu coração tudo aquilo que você está sentindo e, só depois, afrouxe o laço e deixe-me ir.

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