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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Poema dos opostos para os amores dispostos



 

Quem os via assim tão diferentes

Nem sempre conseguia entender

Como podia haver tanta beleza e coração 

Em caminhos que pareciam seguir na contramão 


Um era chocolate ao leite

O outro, cem por cento cacau

Ela, açúcar

Ele, sal

 

Para ela, passagem só de ida para qualquer lugar

Mas ele, porto e âncora, sabia como fazê-la ficar

 

Ela, tempestade, maremoto, furacão e ventania

Ele, garoa, águas mansas, brisa leve e calmaria

 

Dia escaldante de verão

Noite gelada de inverno

Refrescavam-se na medida exata de suas vontades

Aqueciam-se sob cobertores de saudades

 

Blues, Hard Rock, heavy metal, multidão

Bossa nova, chorinho, um cantinho e um violão

Qualquer que fosse o ritmo, o que valia era a música

Nota, compasso, harmonia, sensação

 

Cidade grande, agitação, concreto, alfasto

Montanha, cachoeira, praia e mar

Não importava o que se levava na mala

Bastavam-lhes as viagens e a incessante necessidade de sonhar

 

Noitada, dança e tequila 

Aconchego, sofá e pipoca

Beijo ofegante, molhado

Abraço terno, apertado

 

Na forma, eram opostos

No amor, dispostos 

 

Preto e branco

Quente e frio

Cerveja e vinho

Mar e rio

 

Sol e lua

Futebol e xadrez

Cachorro e gato

Novela e cinema francês

 

No jogo constante das diferenças, o mundo existia e o equilíbrio era mantido

 

Sendo opostos, davam um ao outro novas perspectivas, novas direções e novos sentidos

 

Por serem dispostos, não se completavam, pois por si mesmos já eram inteiros, não havia metades

 

Somavam suas vidas, multiplicavam as alegrias e assim tornavam infinitas as possibilidades de viver a felicidade

 

 


 

 

 

 

 







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